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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

primeira lista de fim de ano; os concertos de 2009

os concertos da minha vida
1. leonard cohen @ pavilhão atlântico, lisboa
2. wilco @ theatro circo, braga

os bons concertos
3. jens lekman @ maus hábitos, porto
4. dead combo @ palácio de cristal, porto
5. simone white @ maus hábitos, porto



as desilusões
1. andrew bird @ theatro circo, braga
2. tó trips @ nogueira da silva, braga


escrito por joão martinho | comentar




noah and the whale #1

noah and the whale é uma daquelas bandas que pedem para não ser ouvidas só por causa do nome. que raio de nome vem a ser esse? "o noah e a baleia", pft. não fosse o grande filme "a lula e a baleia" e acho que a minha referência de subconsciente seria o "free willy"; e a willy era uma orca, não uma baleia. adiante, o essencial a reter é: o nome é mau como tudo.

quando foi lançado, lá para meio deste ano, o "the first days of spring" causou alvoroço entre a crítica musical, profissional e amadora. todos os apontavam como candidato a disco do ano, mas na altura ouvi-o e pensei: que coisinha mais aborrecida. pois é, estava enganado: era concerteza da estação emocional. agora não consigo ouvir outra coisa.

e estes primeiros dias de primavera enganam mesmo: parece álbum choninhas de um tipo que chora porque a namorada lhe deu com os pés, mas é muito mais que isso: é chapada de luva branca como quem diz "vê lá o que é que perdeste" e é também o melhor disco de tipo que chora porque a namorada lhe deu com os pés desde o "sea change" do beck. e não me vou alongar muito nesta comparação, porque estou aqui para elogiar o noah.

acho que ainda vou escrever muito sobre este álbum até ao fim do ano, por isso deixo-vos só a música que abre o disco e a respectiva letra.


escrito por joão martinho | comentar




quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

rip

avenida central (2006-2009)

terminou hoje, por vontade do seu criador, o maior blogue bracarense. por ele passou grande parte - e a parte mais interessante - da discussão sobre a cidade de braga e sobre o minho. não fecha, ao que consta, por pressões políticas, mas deixa um vazio de participação cívica que espero que seja rapidamente preenchido.

ficam as palavras espalhadas por milhares de posts. da minha parte, deixei algumas em meia centena de posts de avenida ideal.

hoje braga perde hoje um bocado de história, mas celebra também uma das melhores memórias recentes.

até breve, ac.


escrito por joão martinho | comentar




terça-feira, 15 de dezembro de 2009

zenit 3m #3

o vosso flicko de eleição acaba de ser carregado com mais quatro fotos, entre as quais "mer e a mais bela foto do outono". é espreitar!



escrito por joão martinho | comentar




josh rouse #1

a minha paciência para o josh rouse esgotou-se logo após o "under cold blue stars", álbum de que aliás gostei muito. porém, ao ler que o josh rouse ia editar um ep chamado valencia, dedicado à cidade onde vivi um ano, tive vontade de abraçá-lo e dizer-lhe: "volta, josh, estás perdoado".

mas não, não me devia ter entusiasmado tanto porque só de ouvir a música que abre o ep, também chamada "valencia" fiquei imediatamente nauseado. eu não sei em que valência é que o josh vive, mas aquela valência-salsa-merengue cantada em espanhol sofrível não é a minha valência.

para que compreendam a minha revolta e se juntem a mim no atirar de ovos podres ao josh, podem ouvir aqui a pior dedicatória possível a uma cidade que, não fossem as baratas, seria a cidade mais bonita do mundo.


escrito por joão martinho | comentar




sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

vadcast #2

já está pronto o segundo vadcast. este, com o vento como tema, tem uma qualidade ainda mais baixa que o primeiro. e, portanto, é para evitar ouvir. ainda assim, se tiverem espaço livre no disco e isso vos incomodar, podem sacá-lo aqui e guardá-lo junto ao ícone da reciclagem.



dead combo - o menino, o vento e o mar
norberto lobo - vento em polpa
tó trips - the wind blows
bill callahan - the wind and the dove
patrick wolf - wind in the wires
billy bragg & wilco - black wind blowing

poemas de ruy belo e dylan thomas.


escrito por joão martinho | comentar




quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

do barulho

aqui.


escrito por joão martinho | comentar




segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

vadcast #1

estreio hoje uma brincadeira nova no vad, o vadcast. o vadcast é um programa de rádio muito muito fraquinho em que eu digo meia dúzia de coisas sem interesse e com a minha voz fanhosa. o que vale é que a maior parte do tempo o vadcast dá-vos música e pronto, vai valendo a pena por causa disso. se quiserem e se o vosso mau gosto for assim tão grande, podem fazer o download do vosso programa favorito aqui.



no primeiro vadcast podem ouvir:

andrew bird - sovay
zeca baleiro - quase nada
beach house - childhood
howe gelb - love knows (no borders)
micah p. hinson - don't you (part 1 & 2)
simone white - roses are not red


escrito por joão martinho | comentar




os radiohead e os ídolos

há já alguns anos que os fãs de radiohead desejam o regresso da banda aos palcos portugueses e, apesar de quase todos terem desdenhado a prestação daquele moço loiro dos ídolos na edição de ontem, o tal moço arrisca-se a ser o responsável por esse regresso.

se até agora os radiohead eram conhecidos do grande público pela creep, agora, dada a popularidade do rapaz - que por acaso até tem um ar ligeiramente esgrouviado, como o thom yorke, aliás -, arriscam passar de banda de culto a banda popular em portugal. ainda mais depois daquele júri magrinho dizer que eles são, provavelmente, a melhor banda do mundo.

ora, se os radiohead se tornarem the new black em portugal, que cor escolherão os até agora fãs portugueses de radiohead?


escrito por joão martinho | comentar




eles dizem #14

nas coisas mais importantes e profundas, permanecemos irremediavelmente sós.

rainer maria rilke


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domingo, 6 de dezembro de 2009

.14

disse-lhe que também gosta muito do silêncio, que às vezes fica horas, outras vez dias inteiros, chegam a ser semanas completas; sempre, sempre, sempre em silêncio. disse-lhe que também encontra a perfeição no silêncio, no vazio, do branco e do preto, que sabe que a musicalidade do quotidiano dança escondida entre o ruído dos dias comuns. disse-lhe que também gosta de sonhos mudos, das palavras nunca ditas, apenas escritas, que também gosta de fingir não ouvir ninguém e inventar os diálogos das pessoas que nunca se calam. e ele ouviu-a neste elogio ao silêncio que se esticou bem para lá destas linhas; e foram tantas as linhas por ela ditas, não escritas, que até o silêncio se cansou de ouvir, que até o silêncio os abandonou. e ele, que não lhe soube fugir, sentou-se em fingida surdez como se lhe inventasse palavras originais, como se lhe inventasse a graça que aquele olhar parecia esconder.


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sábado, 5 de dezembro de 2009

zenit 3m #2

o meu flicko foi actualizado com mais três fotos (fraquinhas fraquinhas).



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domingo, 29 de novembro de 2009

blur #1

os blur foram a porta de entrada para o meu bom gosto musical, tinha eu uns 13 ou 14 anos. e, apesar de agora os ouvir poucas vezes, ainda me surpreendem com cócegas de vez em quando. hoje foi este trailer:



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sábado, 28 de novembro de 2009

lars and the real girl > dan in real life

confundo estes dois filmes, por causa dos títulos, desde que saíram em 2007. portanto, nada mais natural do que vê-los na mesma altura. dan in real life tem o steve carell e a juliette binoche, lars and the real girl a promessa que o trailer deixava de uma fotografia lindíssima; bons motivos para ver ambos os filmes, então.

a meia-maratona arranca com dan in real life e, antes de mais, com a esperança de que este não fosse mais um mau filme na já demasiado longa lista de maus filmes protagonizados por steve carell. não tarda muito até percebermos que a esperança é vã e que, sim, este é apenas mais um filme mau na já demasiado longa lista de maus filmes protagonizados por steve carell.

uma estória demasiado má, uma sucessão interminável de clichés, comédia extremamente previsível e gasta. todos os ingredientes para uma verdadeira perda de tempo cinematográfica temperada com prestações, no mínimo, embaraçosas de steve carell e juliette binoche.

e só isto talvez até bastasse para fazer de lars and the real girl o vencedor desta mini-maratona. ao fim ao cabo, por muito mau que ele fosse, seria difícil que caísse pior do que um filme em que dois dos meus actores preferidos fazem figuras como aquelas.

mas não, lars and the real girl não precisa um filme mau para sobressair, porque é mesmo um grande filme. apesar de altamente improvável, a estória de lars está tão bem escrita que às tantas não nos lembramos já o que é a realidade e o que é fantasia. e isto, numa altura em que tanto o cinema e a literatura andam infestadas de fantasias ridículas, cai muito bem.

mas, como disse, lars and the real girl não precisa de nada para sobressair. tanto a personagem de lars como as personagens secundárias são bastante complexas e a interpretação que as acompanham é muito boa. a estória, essa, até meio do filme, sensivelmente, consegue ser demasiado perturbadora e chega a dar vontade de parar de ver o filme, mas, como se por magia, transforma-se lentamente e acaba de forma quasi-poética.


escrito por joão martinho | comentar




sr chinarro #1

o sr chinarro é um simpático andaluz que faz da melhor música escrita em espanha. é cantautor, mas as músicas que toca não são, na maior parte das vezes, músicas de desgostos amorosos. entre a ironia, o humor e a poesia, sr chinarro conta estórias de lugares bonitos, de personagens curiosas e da sua biografia.

quando o meu afilhado martim estava para nascer, tentei convencer os meus compadres a ouvir atentamente a "g. g. penningstone", música que ele dedicou ao filho. há uns dias tentei convencer o paulo, também recém-pai de um martim, do mesmo. falhei nos dois casos: o espanhol faz comichão e eles desistiram rápido.

gostava que eles tivessem atentado à letra, porque se o tivessem feito ter-se-iam apercebido que são mesmo bonitas as palavras que ele dedica ao filho. e ele diz-lhe assim: "é, aqui, à escola de mi menor (eu em tamanho pequeno)/bastante parecido a mim/que agora canto o meu pequeno" (...) "e o teu idioma, que não sei qual é, é parecido ao irlandês. mas a choradeira, essa, eu compreendo: tens fome ou vontade de brincar, não consegues segurar-te em pé. não vou dar-te o meu telemóvel." (...) "dar-te-ei trinta beijos em cada bochecha e desfarei a barba, tudo por g. g. penningstone".

esta tradução sofrível faz a música parecer bastante foleira, mas a intenção era boa. podem ouvi-la aqui abaixo em versão ao vivo e, se gostarem, podem sacá-la daqui, em versão do álbum, com uma qualidade bem melhor.



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terça-feira, 24 de novembro de 2009

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só para informar que, nesta véspera de natal antecipada em um mês, resolvi dar-vos umas prendas. como o que conta é a intenção, mudei apenas umas coisitas no mais do canto superior direito: mudei a música e acrescentei uma caixa em que, generosamente, partilharei convosco as coisas que tenho gostado de ler por aí.

a música, já agora, é do senhor bom inverno e está no bonito "for emma, forever ago".

feliz natal antecipado.


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bastam os dois segundos iniciais do novo ep dos the pains of being pure of heart para poder afimar categoricamente que

estes tipos são a coisinha mais irritante que surgiu nos últimos tempos.


escrito por joão martinho | comentar




segunda-feira, 23 de novembro de 2009

vad'os leitores #1

já lá vai quase um mês, mas se os ditados nos ensinam alguma coisa é que nunca é tarde demais e que mais vale tarde que nunca. pois bem, este post nasce de um comentário da sigmogybe que, depois de simpáticos elogios às sugestões musicais que publico no vad, deixou-me um link para um vídeo dos the antlers. eu nunca tinha ouvido falar deles e, apesar do vídeo ser bem bonito, a música não me fascinou por aí além.

no entanto, como sou bom moço, segui o segundo conselho dela e fui ler sobre o conceito que é base criativa do álbum hospice. segundo um dos membros da banda, o álbum parte da ideia de tomar conta de um doente terminal que abusa da situação, e acaba por destruir quem está a tratar dele.

e a verdade é que apesar de não ter gostado muito da two, gostei de algumas das outras músicas deste hospice. a verdade é que depois de ler sobre o álbum, as músicas escorregam melhor e é por isso que, além do video proposto pela sigmogybe, deixo-vos também o link para o myspace dos senhores, que eles têm lá mais musiquinhas.

obrigado pela sugestão, f.

the antlers - two


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domingo, 22 de novembro de 2009

perry blake #1

se os domingos têm má reputação, devem-no a dias como os de hoje: frios, escuros e, apesar de hoje não ter chovido, chuvosos. são dias que parecem noites e essa é provavelmente a imagem mais deprimente de sempre; nunca percebi como é que há pessoas que conseguem viver em lugares sem luz.

não há como mudar estes domingos, mas existem bons paliativos. para este fim de domingo, deixo-vos a belíssima ordinary day do senhor perry blake: "é um dia como os outros, não há grande coisa a dizer, mas eu continuo a precisar de ti e a amar-te". para um dia sem estória, uma letra que nos lembra que a estória nem sempre é o mais importante.

perry blake - ordinary day


e porque vos deixo a ordinary day original, deixo-vos também a versão dueto que o perry blake fez com a nancy danino. eu não gosto nada, mas fico à espera da vossa opinião.

perry blake e nancy danino - ordinary day


escrito por joão martinho | comentar




sábado, 21 de novembro de 2009

(500) days of summer

sei que não é fantasia universal, mas sei também que não estou sozinho nisto: ser abordado por uma miúda gira por causa da there is a light that never goes out dos the smiths é o exemplo perfeito do que seria o amor à primeira vista. a letra é tão trágica e urgente como o amor deve ser, e se a fantasia se realiza é inevitável que a acção se desenrole como descrita no poster do filme: "boy meets girl. boy falls in love."

o problema é que, como o narrador avisa no início do filme, este filme não é uma história de amor, mas uma história sobre o amor. o problema é que o rapaz conhece a rapariga, o rapaz apaixona-se e a rapariga não.

(500) days of summer pisca ao olho à indiezice e nem a banda sonora (com the smiths, belle and sebastian, feist ou regina spektor, entre outros), nem o guarda-roupa (a t-shirt dos joy division), nem os cenários (loja de discos), nem sequer os adereços (um candeeiro de origami, uma maçã verde em cima de um chapéu de coco a la magritte, uma parede coberta por um quadro preto, etc) o tentam esconder. é uma história sobre o amor para pessoas que acreditam no amor tal qual foi escrito pelo morrissey ou pelo leonard cohen; o amor é uma porcaria, especialmente por não haver nada tão perfeito como ele.

portanto, meninas e meninos indies, este filme é para vocês e vão adorá-lo, tenho a certeza; meninas e meninos que nunca ouviram falar (ou não gostam mesmo nada) de smiths, joy division ou belle and sebastian, façam o favor de não o ver.

ah, só mais uma coisa: thanks, anny.



escrito por joão martinho | comentar




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